Música, instrumento e vida.
Não sei quantas vezes me vi obrigada a ouvir a musica, do meu vizinho. Mas ás vezes é um bom achado, ouvir musicas meio loucas, mesmo que me deixem estonteada, afinal seja como for é a musica se mostrando em forma viva de suas notas musicais. Minha família, desde meu avô gostava muito da musica tradicionalista, seu desejo era que eu me tornasse uma acordeonista. Até tive aulas, mas bem na época meu avô partiu, e não foi possível continuar as aulas. Meu tio, filho do primeiro casamento, de meu avô foi um grande cantor, tocava acordeom, violão, cantava muito bem e trovava, a verdadeira trova gaúcha, seus companheiros, eram Gildo de Freitas, Teréco e Gato Preto. Meu tio Paulo Costa, não perdia nem um domingo no Programa Grande Rodeio Coringa, na Radio Farroupilha. Seus filhos hoje, são de um grupo musical tradicionalista.
Minha mãe casou-se com meu pai que tocava violão, músicas mais aquelas de dor de cotovelo. Eu sempre vivi rodeada e embevecida pela música, minhas horas de alegria era no banheiro, quando soltava minha voz, sonhando ser cantora, isto desde menininha, até nome artístico eu tinha, era Iara Gonçalves. Quando meu casamento terminou, eu saía para ouvir musicas na noite de Porto Alegre, era muito bom. Um amigo, uma vez me disse, tu ouves as musicas, e ficas sonhando, tal era minha atenção a quem eu ouvia. Um dia conheci João, meu marido, encontrei-o num trailer, num final de tarde. Minhas amigas cantavam e o João as acompanhava com o violão, fui convidada á cantar com elas e assim conheci o meu amor. Hoje em nossa casa, ficamos sentados em nossa sala, ele tocando, o violão e nos dois cantando. Tenho vários amigos cantores, músicos, me sinto por isso muito feliz, pois quem canta seus males espanta. E eu sou admiradora de tudo que é belo, flores, sol, chuva, noite, dia e o acorde de um violão. Finalizo deixando dois versos, de Adelino Moreira, que diz assim: Violão companheiro dileto
És meu único afeto
Tudo que me restou
Meu violão, meu amigo
Nem ela nos separou
Hoje eu amargo contigo
A saudade que ela deixou.
Graça Bernardes
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